Tontura do nada: as 3 causas que respondem pela maioria dos casos
Entre 17% e 30% das pessoas relatam tontura ao longo da vida. Na prática, três causas respondem pela maioria absoluta dos casos agudos — e a boa notícia é que costumam ter solução.
Episódios de tontura não são raros. Estudos populacionais mostram que entre 17% e 30% das pessoas relatam algum episódio significativo de tontura ao longo da vida, e a vertigem (aquela sensação de que o mundo está girando) chega a afetar de 3% a 10% da população em algum momento. É um dos motivos mais comuns de procura por atendimento médico e, ainda assim, segue sendo um dos diagnósticos mais mal compreendidos na prática clínica.
A grande maioria desses episódios tem causa benigna. Mas nem sempre é assim. Algumas tonturas são a manifestação inicial de doenças neurológicas do sistema nervoso central, e reconhecer essa diferença é, muitas vezes, uma questão de tempo.
Em um estudo recente que conduzimos, avaliando pacientes com ataxia cerebelar do adulto, encontramos disfunção vestibular em mais da metade dos casos — um lembrete de o quanto o sistema do equilíbrio e o sistema nervoso central estão entrelaçados, e de por que uma tontura “atípica” nunca deve ser descartada sem investigação.
Feita essa ressalva, a boa notícia é que, na prática do dia a dia, três causas respondem pela maioria absoluta dos casos de tontura aguda:
- Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB)
- Hipotensão ortostática
- Neurite vestibular — popularmente (e um tanto incorretamente) chamada de “labirintite”
Benignas, mas longe de serem simples
Vale desfazer um mito logo de início: “benigno” não significa “leve”. Quem já passou por uma crise de VPPB ou de neurite vestibular sabe que os sintomas podem ser devastadores — vertigem rotatória intensa, náuseas, vômitos, incapacidade de ficar em pé ou até de abrir os olhos.
São quadros que tiram a pessoa do trabalho, da rotina, e que muitas vezes não melhoram com a medicação genérica prescrita em prontos-socorros — porque o tratamento certo depende do diagnóstico certo.
A VPPB é, disparado, a mais comum
Entre as três, a Vertigem Posicional Paroxística Benigna é a causa mais frequente de vertigem na prática clínica. Ela ocorre quando pequenos cristais de carbonato de cálcio (otocônias), que normalmente ficam presos no utrículo, se soltam e migram para dentro dos canais semicirculares do ouvido interno, gerando aquela vertigem intensa e de curta duração que aparece ao virar na cama, olhar para cima ou abaixar a cabeça.
Classicamente associada a pacientes mais velhos, a VPPB vem aparecendo com frequência cada vez maior também em pessoas jovens. E aqui está o ponto mais importante: a VPPB tem tratamento no próprio consultório, na mesma consulta. Não depende de remédio contínuo nem de exame de imagem. Depende de reconhecer o canal envolvido e aplicar a manobra de reposicionamento correta — e, feito isso, boa parte dos pacientes sai da consulta sem a vertigem que os trouxe até ali.
Por que o exame em vídeo faz diferença
Por ser uma doença tão prevalente — e, ao mesmo tempo, tão frequentemente mal diagnosticada quando o exame é feito de forma apressada —, aqui na clínica eu, Dr. Leonardo, faço questão de examinar pessoalmente todos os pacientes com registro em vídeo do movimento ocular. É esse detalhe que permite identificar com precisão qual canal semicircular está envolvido, aplicar a manobra correta na hora e, igualmente importante, reconhecer rapidamente quando o quadro foge do padrão esperado e merece investigação adicional.
Tontura tem causa. Na maioria das vezes, tem solução no mesmo dia. E, quando não é uma dessas três causas mais comuns, encontrar isso cedo faz toda a diferença.
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